Organização criminosa formada por ex-PMs está na mira do MPCE

O Ministério Público do Estado do Ceará, por meio do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta quarta-feira (16) a Operação Gênesis. O objetivo é desarticular a ação de integrantes de uma organização criminosa formada, em sua maioria, por agentes e ex-agentes da Segurança Pública do Estado. Os alvos são suspeitos de diversos crimes, como extorsão, comércio ilegal de arma de fogo, organização criminosa, entre outros.
A ação contou com 17 mandados de prisão e 17 mandados de busca e apreensão em Fortaleza e em Maracanaú. Entre os alvos estão nove policiais militares da ativa; três policiais civis da ativa; e cinco civis, sendo quatro homens suspeitos de atuarem como traficantes e um policial civil aposentado, apontado como o líder da organização criminosa. Os mandados foram expedidos pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas e pela Vara da Auditoria Militar do Estado.
Os agentes investigados usavam o próprio sistema da Polícia Militar do Ceará (PMCE) para apurar informações sobre traficantes e, em posse delas, planejar ações ilícitas contra os mesmos, extorquindo-os com pedido de valores chegando a R$ 10 mil. “Levantavam os antecedentes criminais, os bens do suspeito e, a partir disso, escolhiam o dia e horário onde esse traficante iria ser abordado. No momento da ação, eles extorquiam os criminosos em valores que poderiam variar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil”, detalha Adriano Saraiva, promotor de Justiça do Gaeco.

Investigação
A investigação teve início no final do ano de 2016, com o objetivo de desvendar as ações delituosas de grupos ligados a organizações criminosas, responsáveis pelo tráfico de drogas e armas, assaltos e homicídios na capital cearense e região metropolitana, como explica Rinaldo Janja, coordenador do Gaeco. “Do decorrer da operação, nos deparamos com policiais militares, policiais civis e traficantes atuando em conjunto”, diz.
A organização criminosa era integrada, em sua maioria, por agentes e ex-agentes de segurança pública do Estado, além de pequenos e médios traficantes locais. Juntos, eles praticaram uma série de graves infrações penais, notadamente o crime de extorsão, organização criminosa, comércio ilegal de arma de fogo e outras condutas correlatas.
Em nota, o Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará (Sinpol-CE), informa que está acompanhando a operação, mas lamenta não ter recebido acesso ao certame judicial. “Até o fim da tarde de hoje [ontem], a Justiça ainda não havia disponibilizado, sequer o acesso ao processo para que fosse dada ciência de todas as acusações referentes aos policiais civis, apesar de ter sido protocolado o pedido antes das 10 horas”.

OE