Homicídios no Ceará dobram em 10 anos

O Estado do Ceará está mais violento. O cidadão certamente já sente esses efeitos na prática, diante de um cenário onde o temor pode ser sentindo em todas as esquinas, seja em uma metrópole como Fortaleza ou nos menores municípios interioranos, seja no bairro de classe média ou na periferia. A violência já faz parte da vida do cearense. Mas a comprovação que justifica tal sensação de insegurança veio com os dados publicados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), através do Atlas da Violência 2018.

Os números relativos a homicídios no Estado mostram um crescimento nada menos que 86,3%, em um período de dez anos (2006-2016), ou seja, a taxa dobrou. Nesse ínterim, foram vitimados aproximadamente 20 mil jovens com idade inferior a 30 anos. Em 2016, foram 2.102 pessoas, de 15 a 29 anos, que tiveram suas vidas ceifadas. Diante de um volume tão alto de mortes, o Ceará assume um nada honroso quarto lugar no ranking dos estados nordestinos com maior taxa de mortandade, atrás de Rio Grande do Norte (256,9%), Maranhão (121%) e Bahia (97,8%).

No geral, no último ano analisado pelo documento em questão, o Ceará aparece em sétimo lugar e em terceiro no Nordeste (estando atrás de Bahia e Pernambuco). No mesmo período, foram contabilizados 87,7 homicídios para cada 100 mil habitantes, colocando o Estado na décima posição. Além disso, o número de homicídios por arma de fogo saltou 174,3%. Em 2006, foram 1.060 crimes. Já em 2016, o número chegou a 2.098 casos. No ano de 2014, esse índice chegou a 3.795 casos registrados.

Mulheres
Com relação aos números específicos de assassinatos a mulheres, o Estado também apresentou elevação. De 2006 a 2016, foram contabilizados 62,7% a mais de crimes contra o sexo feminino, tendo 2014 o ano mais fatal: 285 mortes. Em 2016, 4.645 mulheres foram assassinadas no País, o que representa uma taxa de 4,5 homicídios para cada 100 mil brasileiras. Em dez anos, observa-se um aumento de 6,4%.

Racismo
Uma das principais facetas da desigualdade racial no Brasil é a forte concentração de homicídios na população negra. Quando calculadas dentro de grupos populacionais de negros (pretos e pardos) e não negros (brancos, amarelos e indígenas), as taxas de homicídio revelam a magnitude da desigualdade. O índice de negros assassinados em 2016 aumentou 38,9% a cada 100 mil habitantes.

Dados gerais
Em 2016, o Brasil alcançou a marca histórica de 62.517 homicídios, segundo informações do Ministério da Saúde (MS). Isso equivale a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes, que corresponde a 30 vezes a taxa da Europa. Apenas nos últimos dez anos, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional no Brasil.

CE assume quarto lugar em mortandade
Diante de um volume tão alto e crescente de mortes, o Estado do Ceará assume um nada honroso quarto lugar no ranking dos estados nordestinos com maior taxa de mortandade, atrás de Rio Grande do Norte (256,9%), Maranhão (121%) e Bahia (97,8%).

Fonte: www.oestadoce.com.br

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