Golpes virtuais: população pode denunciar links e anúncios suspeitos por meio de Boletim Eletrônico

O celular hoje é um computador de bordo capaz de realizar, por meio do avanço da tecnologia e das facilidades da internet, diversas operações sendo também uma porta de entrada para os crimes virtuais. A agilidade atrelada a comodidade atraem cada vez mais usuários para o mundo digital, mas é necessário que a população esteja atenta a possíveis crimes na internet, que estão cada vez mais comuns na pandemia.

De acordo com o titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), delegado Andrade Júnior, somente durante o período de pandemia elevou-se em 5 vezes a quantidade de golpes praticados por meio dos canais digitais. Com base nos dados, o delegado reforça o papel da população na denuncia dos golpes, que devido a situação econômica de muitas famílias, oferecem benefícios e oportunidades de emprego.

Andrade Júnior fala que não é preciso ser vítima de algum golpes para fazer uma comunicação à Polícia, e que a pessoa ao identificar algum link ou anúncio suspeito pode denunciar por meio do Boletim Eletrônico ou no telefone 181.

Confira entrevista com o Delegado Andrade Júnior e saiba como identificar os tipos de golpes:

Agência de Notícias – Quais os principais crimes digitais?

Andrade Júnior: Nós temos diversos tipos de crimes que estão ocorrendo através das redes sociais. O principal deles acontece através do aplicativo do WhatsApp com a clonagem, e desta situação ocorrem duas circunstâncias:

1ª) Clonagem real do whatsapp: É quando o golpista consegue o WhatsApp de uma pessoa e começa a utilizá-lo. No entanto, essa opção já não ocorre tanto devido a grande maioria das pessoas já utilizarem a verificação em duas etapas, daí você não consegue clonar o aplicativo devido à dificuldade.

2ª) WhatsApp fake: O estelionatário pega um número qualquer, busca uma foto da pessoa nas redes sociais, e coloca naquele número. A partir daí ele começa a enviar mensagens para as pessoas dos grupos informando que mudou de número e começa a pedir valores. A nossa dica é não fazer qualquer depósito até conseguir entrar em contato com a pessoa. Caso não consiga entrar em contato diretamente com ela, buscar ter acesso as pessoas do mesmo convívio social para saber se estão recebendo mensagem da mesma natureza. Se estiverem recebendo já é o primeiro indício de golpe. Em último caso peça um áudio para o reconhecimento da voz.

AG – Além do WhatsApp existem outros meios para cair em golpes?

AJ: Sim. Outro golpe que vem acontecendo muito é o da OLX ou site de vendas. O infrator copia o anúncio de outra pessoa, lança como se dele fosse e a partir do momento que é contactado para a venda ele faz uma verdadeira engenharia social para convencer a pessoa. O que a gente sugere:

1º) Não seja apressado para fazer qualquer depósito. Tenha calma. Se houver pressão para depósito imediato desconfie. O vendedor é o maior interessado no tempo do cliente.

2º) Se tiver certo da compra, antes de finalizar o pagamento  certifique-se em rede aberta se há reclamação quanto aquela empresa, contra aquele site.

Sites de leilão – Acontece muito desses indivíduos se aproveitarem dos leilões virtuais e começam a fazer posts. Todo o leiloeiro tem que estar cadastrado em uma Junta Comercial então se certifique se ela está neste cadastro. Se por ventura, aquela pessoa esteja cadastra também pode ocorrer cadastro falso. Na regra de leilões virtuais é estabelecido que você tem pelo menos 24 horas de prazo para o depósito do valor do bem que arrematou, então não existe o que alguns leiloeiros fazem informando que o pagamento deve ocorrer em até 2 horas, sob pena do bem ir para o segundo arrematante. Não deposite pois é golpe!

AG – A população deve desconfiar de mensagens com links que ofertam descontos, cestas básicas, oferta de emprego?

AJ: Importante não repassar o link que recebeu, pois, muitas vezes, está carregado de solicitação de informações que faz com que as pessoas caiam no golpe. Quando a pessoa repassa ou acessa o link você já está abrindo a porta do seu celular para o golpe. Nesse contexto também ao acessar sites de emprego você está passando seus dados para pessoas que podem utilizá-lo de forma fraudulenta. Todo e qualquer link que receba sobre algum assunto faça uma pesquisa na internet, veja se existe alguma reclamação sobre aquilo.

Verifique se um link é falso, clique aqui.

AG – Como a população pode ajudar na identificação de golpes?

AJ: Não poderíamos ficar de fora da evolução natural do sistema informatizado que permite que o cidadão de forma rápida comunique o crime. A ferramenta possibilita que a policia faça rapidamente a centralização e inicie a investigação. A pressa e a rapidez nesse tipo de crime nos ajudam muito e a comunicação imediata nos ajuda para que possamos fazer nosso trabalho com o bloqueio do site e do sistema que está aplicando o golpe. A gente pede a população registre o boletim de ocorrência para que a polícia tome conhecimento e possa agir na medida do crime cometido.

Nós recebemos muitos boletins de ocorrência em que as pessoas percebem telefones, WhatsApp e links de acesso falsos e aí fazem a comunicação através de boletim eletrônico informando que recebeu e que pode conter indício de crime. Esse encaminhamento ajuda muito a ação da polícia.

AG – Existe um perfil direcionado pelos estelionatários durante esse período de pandemia?

AJ: O estelionatário ele é muito eclético na arte de escolher suas vítimas. Ele age de acordo com o momento. Hoje, por exemplo, nós temos vítimas com parentes que estão hospitalizadas, que passam por um momento sensível, e que são abordadas para a realização de exames e acabam fazendo depósitos. Existem também os golpes com oferta de emprego, golpe da oferta imperdível. Desconfie de vendas com  valores muito abaixo do mercado.

AG – Tem como mensurar o aumento de golpes no período de pandemia?

AJ: Os golpes na esfera virtual no período de pandemia sem sombra de dúvidas quintuplicaram. Nós temos 5 vezes mais golpes através das redes sociais do que tínhamos a dois anos atrás. O estimulo da utilização dos meios digitais através da internet fez isso acontecer. As pessoas ficaram mais reclusas em casa e por conta disso passaram a acessar os meios telemáticos e isso quintuplicou a quantidade de vítimas.

Como denunciar?

A população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As denúncias podem ser feitas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). É possível realizar diretamente o Boletim de Ocorrência (BO) no site da Polícia Civil.
💻 👉 www.delegaciaeletronica.ce.gov.br 

O sigilo e o anonimato são garantidos.