Corpo e mente: profissionais de saúde precisam de cuidado

Os profissionais de saúde, que estão na linha de frente no combate a pandemia da covid-19, têm todos os dias um desafio de cuidar dos acometidos pela doença. Porém, este trabalho exige deles um grande esforço físico e emocional. Além do risco da contaminação, esses profissionais estão expostos a severos danos psicológicos, como ansiedade, depressão e estresse crônico, por exemplo.
Ademais, os prejuízos com a saúde mental podem ocasionar em dores musculares, dores de cabeça, gastrites, entre outros. A fisioterapeuta Juliana Lima explica como a responsabilidade de cuidar dos infectados pelo novo coronavírus interfere na saúde física desses profissionais. “Percebemos nos últimos oito meses, uma procura maior por fisioterapeutas. As principais queixas são dores na coluna, nas costas, nas quais se referem ao estresse emocional. No início, onde eles estavam se adaptando àquela nova realidade, alguns dizem que até para comer ou dormir era difícil. Outros pacientes apareceram com crises de hérnia gastrite ou uma dor de cabeça relacionados a problemas psicológicos”, esclarece.
Uma das dicas da Organização Mundial de Saúde (OMS) para os cuidados da saúde mental dos agentes de saúde é para que eles tenham pausa e descansem entre os seus turnos de trabalho, tirem um momento dentro do expediente, tenham atenção aos seus alimentos para manter uma dieta saudável, fazer exercícios físicos e ficar em contato com a família e com os amigos.

Tratamento
Juliana também elucida sobre os possíveis recursos terapêuticos para cuidar desse público. “Os tratamentos consistem em posturais e terapias manuais. Muitos, também, estão sendo encaminhados para o pilates. Na maioria dos casos a gente interfere logo em uma terapia manual, que vai ajudar na parte da dor física. Muitas vezes, é necessário o acompanhamento com outro profissional, não descartamos a ação interdisciplinar, a fisioterapia e o psicólogo”, informa.
Sobre aqueles que já foram contaminados pela doença pandêmica, a fisioterapeuta diz que o trabalho de recuperação é feito em conjunto. “Temos pacientes aqui, não só profissionais de saúde, com dificuldades além da respiratória. É preciso trabalhar também a parte física, a questão da musculatura, inicialmente com exercícios simples, depois trabalhamos com esforço um pouco maior, para encaminharmos para um educador físico”, descreve.

Conquista
Uma dessas histórias de superação do vírus é de Tatiana Oliveira, também profissional de saúde, “Atualmente, continuo trabalhando na linha de frente em dois hospitais. A gente apresenta um quadro de estresse muito exaustivo. Perdemos muitas vidas, durante a pandemia, não tivemos como ajudar todo mundo. Existe uma sobrecarga na qual o corpo da gente responde de alguma forma. Tem muitos casos até de Síndrome de Burnout. Eu fui ajudada nas terapias manuais, para tentar aliviar a tensão, procurei o tratamento e to fazendo atividade física para tentar me manter em pé”, conta.

OE