Coronavírus: governadores pressionam por cronograma

O piauiense Wellington Dias (PT-PI), que preside o consórcio dos governadores do Nordeste e lidera os estados no tema da vacina contra a covid-19, afirma que pretende reunir representantes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e também integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) na próxima segunda (11) para finalmente definir um cronograma nacional de vacinação.
Ele se queixa que milhões de doses de imunizante já chegaram ao país (da Coronavac), mas mesmo assim ainda não foi traçado um plano para o início do processo de vacinação. O Instituto Butantan prevê entregar nesta quinta (7) a documentação para solicitar o registro de aplicação da Coronavac no Brasil, e a expectativa do governo paulista é iniciar a vacinação no estado em 25 de janeiro. A Fiocruz anunciou a compra excepcional de 2 milhões de doses da vacina de Oxford produzida na Índia. A encomenda deve chegar ainda este mês, segundo prevê o governo federal. Não há data, porém, para o início da vacinação nacional.
A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) informou nesta terça-feira (5) que as negociações para trazer 2 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 estão “avançadas” e que a importação das doses deve ser feita ao custo de US$ 5,25 a unidade (ou R$ 27,90 cada). Com isso, a previsão é que a medida tenha custo de ao menos R$ 55,5 milhões ao governo, segundo a atual cotação do dólar. A fundação não informou se há outros custos incluídos no processo. Atualmente, a importação das 2 milhões de doses já prontas é tida como a principal aposta do Ministério da Saúde para iniciar a vacinação no país. As doses devem ser entregues pelo Serum Institute, um dos centros de produção da AstraZeneca, que fica na Índia.
Mais cedo, os ministérios das Relações Exteriores e da Saúde divulgaram uma nota em que afirmam que não há proibição oficial do governo da Índia para exportação de vacinas contra a covid-19 e que a previsão é que as doses sejam entregues em meados deste mês. O posicionamento ocorreu após o CEO do Serum Institute, Adar Poonawalla, afirmar, no domingo (3), que a Índia havia proibido a exportação de vacinas para priorizar o mercado interno. Ele recuou dois dias depois.
Hipóteses
Atualmente, o ministério vem divulgando que pretende começar a vacinação na melhor das hipóteses em 20 de janeiro e na pior, em 10 de fevereiro. Ainda não há, porém, uma previsão exata da data de entrega das vacinas. As vacinas dependem de um aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para que elas possam ser utilizadas. Em nota, a Fiocruz informa que pretende entrar com um pedido de uso emergencial ainda nesta semana.
“A Fiocruz aguarda o recebimento de informações da AstraZeneca e do Instituto Serum relativas à produção e ao controle de qualidade da vacina para submeter formalmente o pedido”, informou a fundação em nota. Em junho, a instituição firmou um acordo com a AstraZeneca e Universidade de Oxford, que desenvolvem a vacina, para obter 100,4 milhões de doses da vacina de Oxford por meio de produção nacional, ao custo de R$ 1,9 bilhão.

OE