Polícia Federal investiga influencia de facções criminosas em campanhas eleitorais

Ao contrário do Rio de Janeiro, onde são as milícias que dominam 12 por cento das áreas de votação na Cidade Maravilhosa, no Ceará o poder das facções criminosas está diluído em bairros, favelas e comunidades da Capital e já se espalhou pela Região Metropolitana e interior.  Com a prisão de seus principais líderes e o isolamento deles em penitenciárias federais de segurança máxima em outros estados (como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte), a facção local  Guardiões do Estado (GDE), braço armado do PCC no Ceará, vem perdendo força e  seus territórios “engolidos” pelo Comando Vermelho (CV).

A recente autorização dada pelo ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, para a vinda de um novo reforço ao Ceará da Força Nacional de Segurança (FNS), não foi à toa. Ao contrário do que aconteceu nas duas últimas vezes que a FNS foi mandada para Fortaleza (para combater os atentados), desta vez, o contingente vem silente e com a missão específica de auxiliar a Polícia Federal (PF) nas operações de combate ao crime organizado no território cearense. A tropa chegará discretamente, sem alarme nem desfile de viaturas e homens fardados com fuzis. Vai atuar por 180 dias (seis meses) investigando os “braços” das facções em vários Municípios e seus tentáculos na corrida eleitoral que se avizinha.

Confisco milionário

Em cidades da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) a investigação da PF prossegue a pleno vapor, com a identificação de cada grupo criminoso, seus líderes e “soldados”, o poder de fogo e a “lavagem” de dinheiro que acoberta o enriquecimento ilícito e se entranha no Poder Público e na política. Essa investigação levou a PF a confiscar no passado, cerca de R$ 24 milhões em poder do crime organizado no Ceará, valor superior aos R$ 18 milhões confiscados em 2018. O dinheiro aparece desde a aquisição de bens (carros de luxo, embarcações e aeronaves) a imóveis e dinheiro em contas bancárias judicialmente bloqueadas e seus ativos sequestrados.

Redação/Cn7

No ano passado, um desses “braços” do crime na política cearense foi literalmente destruído, com o fuzilamento de seis integrantes da “Quadrilha dos Pipocas”, um grupo criminoso baseado nas  regiões Sertão Central  e Vale do Jaguaribe. O grupo tinha como base as cidades de Quixadá e Morada Nova, mas, expandiu seus crimes de assaltos a bancos e carros-fortes, seqüestros e roubo de cargas para outros estados no Nordeste, Norte e Centro-Oeste. E foi em uma dessas ações criminosas, que o bando liderado por um dos chefões  dos “Pipocas”, acabou morto em confronto com a Polícia no interior de Tocantins.

Em Quixadá, além de “lavar” o dinheiro dos crimes Brasil afora, os “Pipocas” se engajaram na política local, fato público e notório e que chegou a ser denunciado várias vezes nos bastidores da tribuna do Legislativo.

Com a aproximação do período eleitoral, a PF e o Ministério Público vão intensificar as operações em todo o estado, numa espécie de varredura em prefeituras e câmaras municipais onde grupos criminosos podem ter se instalado com o objetivo de desviar dinheiro público (especialmente, em fraudes nas licitações), infiltrar seus membros e chegar às esferas  do poder público.

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