O que se sabe sobre a droga usada contra coronavírus

A covid-19 é uma doença que começou a demonstrar seus efeitos, em especial o potencial de contágio, na China, no fim do ano passado. Desde então, cientistas de todo mundo buscam por remédios que sirvam para prevenção e, principalmente, tratamento para a enfermidade causada pelo novo coronavírus.


Nesse contexto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, no dia 19 de março, que norte-americanos estavam testando a cloroquina como possível medicamento no combate à covid-19. Na oportunidade, além do chefe do executivo, estavam presentes representantes da Food and Drug Administration (FDA), a agência americana de fiscalização e regulamentação de alimentos e remédios, que tem função análoga à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil.
O pronunciamento do líder estadunidense acarretou no início pesquisas mais aprofundadas sobre a eficácia do fosfato de cloroquina e do sulfato de hidroxicloroquina contra o vírus chinês em vários países. Outra consequência, desta vez negativa, foi a corrida que se iniciou para adquirir unidades do fármaco, mesmo sem que houvessem comprovações científicas da efetividade do mesmo.

Brasil
O presidente Jair Bolsonaro, pouco tempo depois das declarações do colega americano, começou a defender o uso da cloroquina e, inclusive, decidiu “que os laboratórios químicos e farmacêuticos do Exército devem ampliar imediatamente a produção desse medicamento”, afirmou. Ao mesmo tempo a Anvisa determinou que a medicação não poderia ser exportada, para evitar o desabastecimento da substância.


Na sequência, o Ministério da Saúde definiu o protocolo de uso da cloroquina. O documento restringiu o uso do fármaco apenas para casos graves da covid-19, onde o paciente está internado. A medicação somente pode ser administrada por um profissional médico. O tratamento deve durar cinco dias. Para subsidiar o uso do medicamento por todo país, o Ministério anunciou a distribuição de 3,4 milhões de unidades do mesmo.
Em seguida, o Ministério da Economia reduziu a zero os impostos cobrados sobre a importação de 61 produtos, incluindo testes rápidos para o novo coronavírus e da própria cloroquina. Além disso, foram vetados os reajustes anuais no preço dos medicamentos que podem ser usados no tratamento da nova doença.

Ceará
No Estado, a conduta medicinal segue as orientações do Ministério e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Contudo, médicos cearenses propuseram que a hidroxicloroquina fosse utilizada de como prevenção em profissionais de saúde. Os farmacologistas Odorico Moraes e Elisabete Moraes, além do infectologista Anastácio Queiroz, assinaram um documento que foi enviado à direção dos principais hospitais estaduais.
O ofício enviado no dia 30 de março tem como objetivo proteger os médicos, enfermeiros e outros trabalhadores da saúde que estão na linha de frente do combate, já que a categoria médica tem sido uma das principais vítimas ao redor do mundo, em especial na Itália. No Ceará, um radiologista foi a óbito, decorrente da covid-19, na última quinta-feira. O Sindicato do Médicos do Ceará afirmou que ele tinha 43 anos e apresentou uma variante grave e de rápida evolução da doença.

Drama
A cloroquina foi descoberta em 1934, mas foi considerada muito tóxica, por isso, acabou sendo deixada de lado. Até que, durante a Segunda Guerra Mundial, o Governo dos Estados Unidos patrocinou estudos sobre medicamentos eficientes contra a malária, e a droga, até então desprezada, passou a ser bastante utilizada, sendo aplicada de modo preventivo.
Outros usos foram encontrados para o medicamento, como o tratamento do lúpus eritematoso e da artrite reumatóide. Nessas últimas duas patologias, o fármaco é de extrema necessidade aos pacientes. Mas com o anúncio de Donald Trump sobre as possível eficácia contra a covid-19, os estoques do medicamento nas drogarias foram comprados de maneira indiscriminada, já que muitas pessoas, assustadas com o potencial negativo da nova doença, adquiriram o produto para uma possível necessidade.
Contudo, os enfermos que dependem do medicamento não conseguiram adquirir mais nenhuma unidade do remédio. E, até então, não era necessário o porte de “receitas especiais” para ter acesso ao mesmo. Mas, por não ser recomendada na maioria dos casos, e pela necessidade que os portadores das enfermidades que já eram tratadas com a droga, a Anvisa determinou que o medicamento fosse apenas vendido com retenção de receita.

Índia
Na manhã do último sábado (4), o presidente Jair Bolsonaro se reuniu com uma equipe que incluía o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, para a realização de uma teleconferência com o governo indiano. O país asiático é um dos maiores fornecedores de insumos farmacêuticos para o Brasil.
O contato realizado com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, tinha o objetivo de solicitar a continuidade no abastecimento de alguns itens que, segundo o governo federal, os indianos teriam interrompido. Seriam 31 toneladas de 23 itens, dentre os quais estão materiais necessários para produção da cloroquina e de outros medicamentos, como nimesulida e paracetamol.

Ineficácia
Pesquisas realizadas na França não demonstraram eficiência do medicamento experimental. Pelo contrário, segundo os estudos, os efeitos colaterais da aplicação da droga são mais prejudiciais que o efeito contra a covid-19. Análises recém publicadas na China, também apontam para a mesma direção.
As duas pesquisas, no entanto, contaram com um número reduzido de pacientes observados. No país asiático, 30 pessoas foram observadas. Metade foi medicada de maneira sintomática e o restante com cloroquina. Os resultados foram os mesmos nos dois grupos, o que indicaria a ineficiência da droga.

OE

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