Governador anuncia lockdown em Fortaleza

O governador Camilo Santana (PT) e o prefeito José Sarto (PDT) anunciaram, na noite de ontem, o reinício da fase do isolamento social mais rígido, com proibição do funcionamento de comércio e serviços não essenciais. O chamado lockdown valerá por 14 dias e entrará em vigor amanhã, 5. O governador cearense também recomendou aos municípios em estado grave de transmissão do covid-19 que seguissem o exempploda Capital e adotassem a medida.

FOTO LUCAS MOURA/ARQUIVO O ESTADO

Segundo Camilo Santana, a decisão foi tomada uma série de reuniões, ao longo do dia de ontem, com o comitê que decide ações contra o coronavírus. A medida foi anunciada em transmissão ao vivo e, junto ao goverandor, estavam o já citado prefeito de Fortaleza e o secretário da Saúde, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Cabeto. Para Cabeto, as medidas de redução da circulação são fundamentais no combate à propagação da doença.

Números
O Brasil mais uma vez bateu o recorde de mortes registradas em um único dia, com 1.840 óbitos. Além disso, pelo quinto dia consecutivo, o país tem recorde na média móvel de mortes, 1.332. O país já está há 42 dias seguidos com média móvel acima de 1.000. O recorde de mortes anterior ocorreu na terça: 1.726 óbitos, no maior salto da pandemia.

Além do elevado número de óbitos, também foram registrados 74.376 casos de Covid-19, segundo maior valor da pandemia. O recorde pertence ao dia 8 de janeiro, com 84.977 infecções, mas ocorreu devido a uma revisão de dados do Paraná. O total de mortes chegou a 259.402 e o de casos a 10.722.221, desde o início da pandemia. O Brasil enfrenta o pior momento da pandemia, com situações críticas em todas as regiões do país. Dez capitais do país apresentavam UTIs com mais de 90% de ocupação na terça.

Secretários
Secretários estaduais de Saúde divulgaram uma carta nesta segunda-feira (1º) em que afirmam que o Brasil vive o “pior momento da crise sanitária” provocada pela Covid e pedem maior rigor em medidas para evitar um colapso em todo o país. Entre as ações recomendadas, está a adoção de um toque de recolher nacional das 20h às 6h, suspensão das aulas presenciais e lockdown nas regiões “com ocupação de leitos acima de 85% e tendência de elevação de casos e mortes”.

O documento é assinado pelo Conass, conselho que reúne os 27 gestores da área. No texto, endereçado à “população brasileira”, o grupo cita a ausência de coordenação nacional como um dos fatores para a queda na adesão a medidas de isolamento e pede que haja um “pacto pela vida”. Em uma espécie de alerta, o grupo diz que o agravamento da epidemia em diversos estados “leva ao colapso de suas redes assistenciais públicas e privadas e ao risco iminente de se propagar a todas as regiões do Brasil”.

“Infelizmente, a baixa cobertura vacinal e a lentidão na oferta de vacinas ainda não permitem que esse quadro possa ser revertido em curto prazo”, apontam os gestores, que citam então uma lista de medidas para tentar evitar o colapso na rede de saúde.

Além do que chamam de “restrição em nível máximo das atividades não essenciais” em regiões com mais de 85% dos leitos ocupados, o que equivaleria a um lockdown, secretários recomendam que sejam vetados eventos, congressos e atividades religiosas em todo o país, suspensas aulas presenciais e adotado toque de recolher das 20h às 6h e fechados praias e bares, por exemplo.

OE

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