Empresários do Ceará são contra o lockdown

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Ceará (Fecomércio-CE), apresentou na manhã desta quinta-feira (1º), uma pesquisa inédita de opinião sobre o lockdown no Estado, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC). O levantamento apontou que 56,6% se manifestaram contra, enquanto 38,6% se colocaram a favor.

FOTO JOÃO FLORENÇO / O ESTADO CE

A pesquisa foi realizada entre 2.031 pessoas, com coleta online, no período de 24 a 27 de março de 2021. Foram ouvidas pessoas com diferentes ramos de atuação profissional, incluindo empresários (37,9%), trabalhadores formais (36,4%) e informais (8,8%), desempregados (5,0%) e outros (12,0%).

Entre os empresários, 71,4% mostram-se contra o lockdown para diminuir a circulação do vírus, enquanto 25,2% são a favor. Já entre os trabalhadores formais, 40,6% são contras, enquanto 54% a favor. O presidente da Fecomércio-CE, Maurício Filizola, explica o resultado: muitas vezes, quando acontece o lockdown, as empresas são responsáveis pelo pagamento de salário mesmo não estando funcionando. É uma situação que fica mais cômoda para o trabalhador, que tem o salário garantido, pago até mesmo pelo próprio governo. Isso é uma maneira de interpretação, porque o trabalhador formal é mais favorável ao fechamento, mas isso traz reflexos futuros, como o desemprego”.

Indagados sobre o que seria mais importante neste momento, 85,05% dos empresários responderam flexibilizar o isolamento e 12,87% disseram manter as atividades econômicas fechadas. Nesta questão, os trabalhadores formais também concordaram com a flexibilização (64,95%). “A nossa responsabilidade é termos os protocolos, desenhados com o grupo de trabalho, bem elaborados, inclusive com a participação dos órgãos de controle e do próprio governo, fazendo isso dentro das nossas empresas”, destacou Filizola.

Reabertura
Durante divulgação da pesquisa, Maurício Filizola apresentou a proposta de reabertura para o comércio a partir da próxima segunda-feira (5), que foi encaminhada ao Governo do Ceará. na proposta, a retomada começaria de forma gradual, assim como foi em 2020. Todos os setores voltariam na segunda-feira, mas os funcionários teriam carga horária e quadro reduzidos nos primeiros 15 dias.

Segundo Maurício Filizola explicou, a diminuição da carga horária e diferenciação do horário de abertura e fechamento das lojas de shoppings e de rua seria uma forma de evitar mais aglomerações nos transportes públicos. “Entendemos que o comércio deve voltar em sua plenitude de setores, mas não em plenitude do número de colaboradores e restrição dos horários. O importante é esse retorno, aos poucos a gente vai colocando a máquina para rodar em sua plenitude”, ressaltou o presidente da Fecomércio-CE.

Na ocasião, Maurício Filizola também pontuou que o diálogo da federação, que representa os empresários e comerciantes, sempre foi muito aberto e respeitoso com o governo estadual e municípios. “A voz do empresário cearense é de querer estar trabalhando, de estar dando oportunidade de crescimento e emprego à nossa população. O diálogo, sempre temos dentro do canal normal, que é o grupo de trabalho, (dentro do Comitê Estadual de Enfrentamento à Pandemia do Coronavírus)”, disse.

Auxílio
Maurício Filizola também lembrou de algumas medidas de apoio ao setor produtivo para dar certo fôlego às empresas impactadas com a crise da pandemia, como a injeção dos recursos da nova rodada do auxílio emergencial e de uma nova medida de ajuda sobre a folha de pagamento, que vem sendo estudada pelo governo federal. No entanto, ele destacou que o que o comércio quer, é estar aberto. “Queremos nossos comércios abertos. Não é esmola, não. É estar trabalhando”.

Filizola também destacou que encaminhou protocolo aos vereadores de Fortaleza sobre a redução do IPTU. “Estamos trabalhando um diálogo com os vereadores para que tenham o entendimento de que não foi o comércio que quis fechar. Cada um tem que colaborar com o setor produtivo, e digo cada um os entes: governo estadual, federal e municípios, para que a gente tenha um equilíbrio no retorno e sustentabilidade das empresas, porque quem movimenta esse pais é o setor produtivo do comércio, serviços, indústrias, turismo, transportes e agronegócio. Somos nós que fazemos a movimentação da economia desse pais”, disse.

OE

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