Deficiência: data levanta debate para acessibilidade

Para as pessoas que possuem algum tipo de deficiência, são muitos os obstáculos que precisam enfrentar no dia a dia, tanto por questões de infraestrutura, como elevadores quebrados e falta de rampas; quanto por questões culturais, como preconceitos e rejeições. De acordo com o Censo 2010, quase 46 milhões de brasileiros declaram ter algum tipo de deficiência, representando uma porcentagem de 24% da população, enquanto no Ceará, esse número sobre para 27%. Nesse contexto, o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência tem como objetivo informar a população sobre a temática, independente da deficiência ser física ou mental.
Para a estudante de Arquitetura Virginia Oliveira, 25, falar sobre acessibilidade também é pensar sobre questões para além das rampas e dos elevadores. Apesar de considerar esses equipamentos importantes para as pessoas com deficiência, também acredita que uma reflexão sobre o contexto social se faz relevante. “Porque adaptar ambientes dá para se fazer, mas ensinar as pessoas é muito mais difícil. Sobre aprender a olhar o corpo do outro e a respeitar o outro, entende? E também aprender a tornar um local possível de independência de uma pessoa com deficiência física”, comenta.
Virgínia, que também faz teatro, tira fotos e é bartender em um bar itinerante, já deixou de assistir a aulas por falta de acessibilidade. A estudante acredita que é preciso pensar espaços que possibilitem um local de igualdade para pessoas com deficiência, apesar das diferenças existentes.
Ela coloca que a abertura para o diálogo se faz importante. “Porque o preconceito nada mais é do que uma ignorância que as pessoas têm em que pessoas com deficiência física ou com a mobilidade reduzida, são incapazes de exercer as mesmas funções que elas. Não é que a pessoa seja incapaz, mas que o conceito sócio-político das cidades não tentam vislumbrar essas pessoas como pessoas capazes de produzir” finaliza.

Projeto Diferente
Responsável por prestar atendimento gratuito a crianças, jovens e adultos com autismo, assim como pessoas com deficiências associadas, a Fundação Projeto Diferente está entre as 51 Organizações Não Governamentais (ONGs) que mantêm convênio com a Coordenadoria do Desenvolvimento da Escola e da Aprendizagem (Codea) – Diversidade e Inclusão Educacional do Ceará. Criada em 1989, tem como proposta o atendimento integral à criança em aspectos terapêuticos e psicopedagógicos, assim como o desenvolvimento de ações com as famílias.
Segundo a presidente da Fundação Projeto Diferente, Ana Maria Timbó Duarte, 45, um dos maiores desafios para pessoas com deficiência é a ignorância no sentido real da palavra. “Falta de conhecimento e de empatia”, pontua. Ela explica que cada deficiência possuem necessidades específicas, que precisam ser conhecidas e respeitadas. “Rampas para cegos e cadeirantes ou pessoas com deficiências com dificuldade de locomoção. Intérpretes de libras para surdos, descrição de imagens para cegos”, exemplifica.
Nomenclatura
Em março deste ano, a proposta de emenda à constituição (PEC) que padroniza as referências a pessoas com deficiência na Constituição Federal foi aprovada, por unanimidade, no plenário do Senado. Segundo informações da Agência Senado, a proposta substitui expressões como “pessoa portadora de deficiência” para “pessoa com deficiência”, sendo essa última nomenclatura parte da Convenção Internacional sobre o Direito das Pessoas com Deficiência, da Organização das Nações Unidas.
Para a senadora Eliziane Gama, que apoiou a aprovação da PEC 25/2017, o objetivo principal dessa iniciativa é fazer a garantia de direitos e, sobretudo, a valorização humanitária. “Infelizmente, há um nível de exclusão e de discriminação muito grande. Quando se coloca portador de deficiência, está embutido nisso uma forma muito discriminatória de portar, de levar, de transmitir. “Isso acaba trazendo prejuízo a uma luta que é histórica no Brasil, que é o acesso a esses direitos”, disse ao Portal Senado.

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