Cresce nome de Tasso para a chapa do PSDB em 2022

O cearense, ao longo de seu atual mandato no Senado, vem participando de modo ativo de discussões de projetos com visibilidade na pauta da casa e do Congresso, tendo sido, por exemplo, relator da matéria da reforma da Previdência em 2019.

Mais recentemente, ele foi um dos escalados para integrar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que vai apurar possíveis irregularidades ou omissões na atuação do governo no combate à pandemia. Ele, crítico à gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), é parte do grupo de parlamentares de oposição que vão atuar na CPI. O tucano não deve ser presidente ou relator da Comissão, que terá sua primeira reunião na quinta-feira (22), mas a participação deve contribuir para firmar seu nome no cenário nacional, principalmente se continuar fortalecida a hipótese de o PSDB lançá-lo ao Planalto no ano que vem.

Polarização
Além disso, como avaliam os tucanos, Tasso representa uma quebra na polarização entre Bolsonaro e o PT de Lula, perspectiva que tem norteado a maioria dos outros pré-candidatos e partidos que pretendem lançar nome em 2022. Os pretendentes mais próximos ao centro tentam reverter a perspectiva de um segundo turno entre os dois, apontados hoje pelas pesquisas como os mais populares. Governistas, em meio a isso, apontam que o PT é seu principal adversário e minimizam a relevância dos demais atores, e petistas defendem que só Lula será capaz de derrotar o atual presidente.
O ex-presidenciável Eduardo Jorge (PV), conta o presidente tucano, foi um dos responsáveis por fazer avançar a hipótese de Tasso presidente, ao declarar em publicação na internet, na última semana, que se deve trabalhar por uma “frente ampla democrática” para evitar o ocorrido em 2018, quando o segundo turno foi entre PT e Bolsonaro. “Meu candidato é o senador PSDB/Ceará Tasso Jereissati com vice mais esquerda”, escreveu. Bruno Araújo conta que o cearense é um nome que “transcende de forma definitiva o PSDB”.
A perspectiva de uma candidatura de Tasso, no entanto, esbarra em outros nomes já cotados para a disputa pelo partido, principalmente o do governador paulista João Doria, que vem articulando a candidatura a longo prazo, tendo ganhado visibilidade nos últimos meses ao se firmar como o principal contraponto a Bolsonaro no combate à pandemia entre os governadores brasileiros. Outro possível candidato é Eduardo Leite, que governa o Rio Grande do Sul. Aqueles que defendem Tasso como líder da chapa lembram que Doria hoje desagrada alguns setores dentro do PSDB, enquanto Leite levanta dúvidas relacionadas à experiência necessária para o cargo – ele, com 36 anos, é apenas um ano mais velho do que a idade mínima exigida na lei para assumir a Presidência.

PDT
A indefinição sobre o destino de Tasso em 2022 também interfere nas costuras locais. A perspectiva de o tucano virar candidato à Presidência o colocaria como adversário do ex-governador Ciro Gomes (PDT), que trabalha a própria candidatura desde que foi derrotado em 2018, apenas dois anos após os dois se reaproximarem no cenário local. O PSDB de Tasso, por exemplo, apoiou a chapa do PDT à Prefeitura de Fortaleza ano passado, elegendo José Sarto, quando estava na oposição aos Ferreira Gomes em 2018.

Além disso, tendo sido eleito ao Senado em 2014, com um cargo de oito anos, ele pode também tentar a reeleição na casa. Essa outra hipótese também deve gerar algum desconforto junto ao grupo político de Ciro, uma vez que se especula o lançamento de uma candidatura do governador Camilo Santana (PT) ao Senado – em 2022, os cearenses disputarão uma única vaga.

OE

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