Cesta básica recua 3,34% em Fortaleza, e atinge R$ 379,26

Depois de registrar duas altas seguidas – em maio (3,12%) e junho (0,4%) –, a inflação sobre os produtos da cesta básica voltou a cair em julho, em Fortaleza. No período, o preço da cesta passou de R$ 392,35 para R$ 379,26 – queda de 3,34%, a terceira maior do Nordeste. No entanto, a capital cearense segue todas as demais capitais do País, que apontam alta acumulada nos sete primeiros meses do ano, sendo que Fortaleza possui a quinta maior inflação no período, com 3,21%, segundo a série histórica, iniciada em setembro de 1986. As informações divulgadas, ontem, são do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese-CE), através da Pesquisa Nacional da Cesta Básica (PNCB).

Considerando o valor e, tomando como base o salário mínimo vigente no País, de R$ 954,00 – valor correspondente a uma jornada mensal de trabalho de 220 horas –, o trabalhador teve que desprender 89 horas e 43 minutos de sua jornada de trabalho mensal para essa finalidade, sendo que o preço atual corrói 43,21% do salário mínimo líquido – em junho, era 44,7%. Segundo o Dieese-CE, o gasto com alimentação de uma família padrão (dois adultos e duas crianças) foi de R$ 1.137,18.

Comportamento
O levantamento mostra que a retração no preço final do mês passado foi influenciada pela queda de seis dos 12 itens, com destaque para o tomate (-18,99%) – com maior intensidade –, seguido de banana (-9,56%), feijão (-3,5%), farinha (-2,78%), carne (-0,46%) e manteiga (-0,24%). Por outro lado, no período, apresentaram altas o leite (9,27%), o pão (2,34%) e o açúcar (1,97%). No período, três itens permaneceram com preço estável, como é o caso de arroz, café e óleo.

Na variação mensal, o custo do conjunto de alimentos básicos recuou em 19 das 27 capitais do Brasil, sendo as principais retrações registradas em Cuiabá (-8,67%), São Luís (-6,14%), Brasília (-5,49%), Belém (-5,38%), Rio de Janeiro (-5,32%) e Curitiba (-5,12%). Enquanto isso, apenas uma elevação foi observada, como em Goiânia (0,16%). Já por valores, a cesta mais cara ficou com São Paulo (R$ 437,42), seguida de Porto Alegre (R$ 435,02) e Rio de Janeiro (R$ 421,89). Os menores valores médios foram observados nas capitais nordestinas de Salvador (R$ 321,62), São Luís (R$ 336,67) e Natal (R$ 341,09).

Ainda na análise mensal, por valores, o preço registrado no mês passado, em Fortaleza (R$ 379,26), ficou R$ 13,09 mais barato – já que, em junho, o valor era de R$ 392,35. Com isso, Fortaleza figura no ranking com a 9ª cesta mais cara do País. Além disso, apesar da redução mensal, com o novo valor, Fortaleza continua com a cesta mais cara do Nordeste. Na passagem mensal, todas as capitais nordestinas registraram quedas.

Balanço
Observando as variações semestral e anual da cesta básica em Fortaleza, verifica-se que foram de -2,15% e -5,34%, respectivamente. Isto significa que a alimentação básica, em julho de 2018, está mais barata do que em janeiro de 2017 (R$ 387,61) e, também, mais barata que julho de 2017 (R$ 400,67). No semestre de encerrado em julho último, entre os produtos, os que sofreram maiores reduções nos preços estão tomate (-22,27%), farinha (-11,79%), açúcar (-8%) e café (-6,44%). Apresentaram elevação, no período, leite (15,65%), pão (7,46%), e carne (2,33%). Já na série de 12 meses, os que sofreram maior redução nos preços foram feijão (-39,36%), açúcar (-26,07%), tomate (-24,56%); e farinha (-15,69%), enquanto avançaram o leite (9,27%), o pão (7,36%), a carne (4,68%) e a manteiga (1,25%), segundo o levantamento.

Para o Dieese-CE, levando em consideração a determinação constitucional, que estabelece que o salário mínimo deva ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e sua família (quatro pessoas) – com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência –, e com base no total apurado para a cesta mais cara, em junho (São Paulo, com R$ 437,42), o valor do salário mínimo necessário deveria ser de R$ 3.674,77, ou seja, 3,85 vezes o mínimo vigente (R$ 954,00). Em junho, o piso mínimo necessário correspondeu a R$ 3.804,06, ou 3,99 vezes o mínimo, enquanto que, na comparação com julho do ano passado – cujo salário mínimo era de R$ 937,00 – o piso mínimo necessário correspondeu a R$ 3.810,36 (ou 4,07 vezes o piso vigente).

 

Safra maior ajudou a derrubar preços
A boa safra observada na produção de itens como o tomate e a banana, em julho, contribuíram diretamente para maior oferta e abastecimento do mercado na capital cearense, segundo o economista do Dieese-CE, Gilvan Farias. No caso do tomate, “a queda foi influenciada pela boa colheita, com a safra vinda do Espírito Santo, Bahia e boa parte de nossa produção aqui, da serra, o que deu para suprir nosso mercado e fez com que o preço caísse”, destacou Farias.

Comportamento semelhante foi observado no caso da banana, “mas com uma safra bem menos, com produção vindo diretamente da Bahia, Minas Gerais e Pernambuco, com boa parte, também, de nossa produção, em Baturité”. Já quanto ao feijão, Gilvan também destacou a boa safra, com o escoamento da produção vindo diretamente dos estados da Bahia, Piauí e Tocantins.

No entanto, entre as principais elevações, especialmente quanto ao leite, houve uma baixa oferta, devido à extensão do período de entressafra, que foi um pouco maior, segundo o economista. “Então, com isso, ocorreu um atraso na questão das pastagens e esse período a mais fez com que a oferta ficasse mais baixa, com a alta diretamente no leite”, explica Gilvan. Ele descarta que o preço do produto ainda tenha sido influenciado pela crise do abastecimento – com a greve dos caminhoneiros. “Ela ocorreu, mas foi mais pontual, nas duas últimas semanas de maio, a nas duas primeiras de junho. Então, o impacto desse movimento não tem mais relação (como a elevação do preço do leite em julho)”, finalizou Gilvan Farias.

Fonte: http://www.oestadoce.com.br

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