Barroso ironiza Bolsonaro sobre fraude nas eleições: ‘tem quem ache que terra é plana’

Em reação às declarações do presidente Jair Bolsonaro defendendo o voto impresso e questionando a segurança das urnas eletrônicas o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, disse hoje não ter “controle sobre o imaginário das pessoas.

“Tem gente que acha que a Terra é plana. Tem gente que acha que o homem não foi à Lua. Tem gente que acha que Trump venceu as eleições nos Estados Unidos”, disparou Barroso.

Mais cedo, ele disse que explicaria o funcionamento das urnas “para quem quer entender”, já que “para quem não quer, não há fármaco jurídico”.

Barroso garantiu que “houve zero prejuízo de credibilidade ao sistema.”

O presidente do TSE reafirmou a segurança no processo eleitoral brasileiro e disse que, “para além da retórica”, não há qualquer evidência de fraude nas urnas eletrônicas.

A declaração vem num momento em que o presidente Jair Bolsonaro reforça as ofensivas pedindo a aprovação do voto impresso no País, colocando em xeque a segurança da urna eletrônica.

“Só posso explicar (funcionamento de urnas eletrônicas) para quem quer entender. Para quem não quer entender, não há fármaco jurídico possível”, disse Barroso.

O presidente do TSE explicou que as urnas não ficam conectadas em rede, e o programa desenvolvido é fiscalizado pelos partidos, pelo Ministério Público e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Depois, é lacrado num cofre para só então, na ocasião das eleições, ser inserido individualmente nas urnas.

Ainda segundo Barroso, antes da votação, um boletim inicial que mostra que a urna está com os votos zerados. Ao fim da votação, por sua vez, o boletim da urna mostra o número de votos que cada candidato recebeu.

“Não há como fraudar nem antes nem depois do boletim de urna”, frisou. Segundo o ministro, os boletins de urna são enviados por uma rede criptografada, e só o TSE é capaz de decodificar os dados. Se houver alteração no caminho, o sistema detecta e rejeita informação.

Os partidos, disse Barroso, têm acesso aos boletins de urna e podem fazer conferência. “Nunca ninguém demonstrou evidência de fraude”, ressaltou. “Se alguém tivesse demonstrado evidência de fraude, TSE seria primeiro interessado a investigar.”

Barroso também reforçou que as falhas no primeiro turno, com problemas no e-Título e na totalização dos votos, não tiveram qualquer relação com ataque hacker ou qualquer ilícito.

Barroso disse ainda que ficou em contato durante toda a semana com o diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza, em meio às investigações sobre o ataque hacker. “A Operação Exploit foi conduzida com grande sucesso pela Polícia Federal.”

Balanço das eleições

Barroso disse que a abstenção dos eleitores no segundo turno das eleições municipais foi maior que o desejável pela Justiça Eleitoral. Durante a apresentação do balanço das eleições, Barroso afirmou que a pandemia da Covid-19 fez com que parte do eleitorado deixasse de comparecer às urnas por medo de contaminação pelo novo coronavírus.

Com 100% das seções eleitorais apuradas, a abstenção dos eleitores foi de 29,50%, equivalente a 11,1 milhões de pessoas. Nas eleições de 2018, 2016 e 2014, o índice de eleitores faltosos ficou em torno de 21%.

Na avaliação do presidente, embora a abstenção tenha sido maior que o desejado, a realização das eleições em meio à pandemia, com a participação de 70,50% dos eleitores, merece ser celebrada.

“É um número maior do que nós desejaríamos, mas é preciso ter em conta que nós realizamos eleições em meio à uma pandemia, que já consumiu 170 mil vidas, e que muitas pessoas, com o compreensível temor de comparecem às urnas, deixaram de votar. Muitas por estarem com a doença, muitos por estarem com sintomas e muitas por estarem com medo”, afirmou.

De acordo com o balanço final das eleições, houve 3,89% (1 milhão) de votos brancos e 8.81% (2,3 milhões) de votos nulos.

Ataque hacker

Durante a coletiva de imprensa, o presidente do TSE também afirmou que não foram registrados ataques bem sucedidos de hackers aos sistemas do TSE no segundo turno. Barroso também elogiou o trabalho da Polícia Federal (PF), que prendeu ontem (28) um suspeito de envolvimento no ataque ao sistema do tribunal durante o primeiro turno.

“Há os que fazem esses ataques para procurar atacar a democracia e o sistema eleitoral, e procurarem tornar as instituições vulneráveis. Todos eles são criminosos, merecem o repúdio das pessoas de bem e merecem a ação da Justiça”, disse.

(Com informações da Agência Estado e da Agência Brasil)

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